Desejos

Diarios do

16.11.04

Lembranças de Ana - Parte III

Estou cansada. Novamente largo-me nesse sofá macio, recém saída do banho, televisão ligada nesse momento, quase meia noite, em um programa totalmente sem graça e pouco importante. Tento alcançar o controle e o pego a grande custo. Vou "zappeando", meio entediada, afinal eu já deveria estar dormindo hora dessas.
De repente para no canal 42, um daqueles filmetinhos eróticos que são muito mais objeto para masturbações adolescentes do que qualquer coisa, mas que hoje apresentam duas mulheres juntas. Eu sei, eu sei, isso é fetiche geral de alguns homens mas posso assegurar que é fetiche de algums mulheres também, eu incluída.

Chega uma hora que eu cansei de estar com homens: eles abusam demais de minha paciência, eu fico profundamente irritada com certas coisas estúpidas que eles fazem e/ou falam. Ainda bem que há um Daniel no mundo prá me provar que nada é tão absolutamente ruim, mas pelo que eu saiba ele está comprometido e feliz, apesar da desaprovação que sua família tem sobre seu relacionamento... Ah! quanta estupidez.
Tem horas que, juro, gostaria estar como aquelas duas da telinha, se enroscando, beijando-se, enfim, fazendo muito mais do que o imaginável. Eu rio quando imagino que se houvesse alguém que eu gostaria de ter algo seria com a Gabriela. Eu sei a muito tempo que ela é bissexual, cansava de contar suas historinhas com homens e mulheres, para o meu espanto, falso ou verdadeiro mas absolutamente "carola".
Deitada ainda, vendo aquelas mulheres que ficam ocultando coisas, eu afasto minha toalha e imagino a Gabi perto de mim. Como ela é diferente, suave, linda: fosse um homem, estaria aqui me beijando e me chupando sem jeito... Ao contrário, ela é tão suave.... Fica fazendo carinhos no meu cabelo, me beijando com os mais gostosos lábios que tive a oportunidade de ter sobre os meus. Só sei que fico incrivelmente ativa quando imagino que ela está em cima de mim....

Agarro seu corpo, pressiono suas costas de forma a parecer uma quase massagem e apenas sinto que se intensificam em meu pescoço, seus beijos tão sensuais e tão suaves. Os bicos dos meus seios se intumescem prontamente. Tá, querem que eu reconheça? Eu tenho essa fantasia tão intensa dentro de mim que penso até em fazê-la ser real. Porque não fiz? Ainda não sei, não sei se vou ficar com cara de arrependida e com dramas de consciência, mas na verdade, devo confessar que existem coisas que me deixariam imensamente com mais dores de consciência do que ter outra mulher comigo.
Apenas sei que minha mente continua viajando, para quando ela toca meus seios com boca, num misto de linguadas e sugadas, fazendo com que eu grite de prazer como nunca antes, mas como nunca antes MESMO.
Sinto um certo toque de naturalidade que ela procure sempre acariciar minha barriga, meu bumbum, admire-se pela minha xoxota quase sem pelos que me peça que faça o mesmo que tinha feito por mim e ainda mais, enfim , que nos tornemos efeitvamente amantes naquele espaço restrito de tempo.
Sim, eu quero provar aquela xoxota, ao mesmo tempo que quero continuar a ser explorada. Eu rio: é claro que a única solução é o bom e velho 69, bom mesmo, alucinante.
Parecia a mim que explorá-la daquela forma seria efetivamente explorar a mim mesma, sabendo ainda sim que ninguém é igual a ninguém. Incrível como sentia-me, mesmo em minha fantasia, tão conhecedora da minha própria anatomia, da minha própria essência feminina. Foi algo intenso e longo, que eu mal poderia descrever com clareza, não me faria entender plenamente. Apenas sei que lá estávamos em êxtase e , fora do mundo ideal, meus dedos proporcionavam a intensidade de línguas que me faziam gemer, torcer que tudo aquilo fosse real.
Apenas sei que o tempo passou e , quase no meu clímax, imaginei-me tendo-o, para que depois ela viesse até mim e nos beijássemos, trocando os gostos de nossos sexos. Foi só aí, com o beijo, que gozei, tendo de morder a almofada para não dar um grito que acordaria a todos.
A Gabi! Que sensações que me provocava sem saber. Dormi assim, nua, com a grande sorte de ser um dia de calor que não poderia me deixar doente.
No outro dia na faculdade, quando Gabriela me puxa do lado para contar as aventuras do feriado na praia, eu apenas sorrio e olho para aqueles brilhantes olhos castanhos e os lábios vermelhos. Quando ela acaba de contar, eu apenas me aproximo e lhe dou um beijo na boca, doce e sem intenção.
Apenas sei que ela nada entende e pergunta: "O que é isso Ana?"
Rindo, aproximo-me de seu ouvido e sussuro: "Ontem à noite, em meus pensamentos, fizemos amor... Foi só isso..."
Ela fica bestializada e estanca; eu como a eterna devassa presumida, apenas rio e me afasto, não sem antes dizer que desencanasse e que tudo aquilo era devido às aventuras que me contava. Ela não desencanou e minha conversa não a convenceu. Mesmo assim, posso garantir, nada houve entre nós.



Postado by Angelus | 3:28 PM


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